Um bombardeio de informações, demandas em quantidades infindáveis, prazos para concluir tarefas, compromissos e mais compromissos, apelos publicitários atacando a percepção humana com todas as formas de mensagens consumistas e de formação de conceitos, religião, política, desastres, criminalidade elevada, conflitos e barbaridades assolam a sociedade, resultando numa epidemia de estresse pelos excessos de tempo a que somos submetidos ao incessante ataque visual, auditivo e sinestésico.

Parece que somos obrigados a atender a todas as abordagens, esgotando a capacidade de harmonizar os pensamentos. Com isso se verifica uma epidemia de estresse que desestrutura a mente humana, culminando com um elevado consumo de drogas para amenizar a ansiedade, o medo, a insônia, a depressão, a impotência e as doenças psicossomatizadas, sem diagnóstico clínico, desentendimentos entre casais e complicações na família.

O estresse não afeta apenas indivíduos, pois tem consequências culturais, sociais e econômicas. Tirar férias somente após 11 meses, e de 30 dias, não parece ser uma boa forma de recuperação do trabalhador, pois geralmente o dinheiro é pouco e, quando retorna, não tem nada a receber, complicando as finanças pessoais, resultando num estresse imediato para cobrir as despesas do cotidiano. Alguns só tiram férias antes de acumular duas, negociam a venda do seu descanso merecido e necessário, trabalhando para outros ou para o próprio empregador. Resultado: crises depressivas pós férias.

Para quem trabalha por conta própria, parece impossível encontrar um período para se afastar do desgaste rotineiro dos compromissos em busca de uma remuneração, a qual nem sempre é suficiente. Períodos menores de afastamento, 10 ou 15 dias durante duas ou três vezes no ano, podem ser mais benéficos à saúde mental e física, evitando o sofrimento da fadiga profissional.

É comum a identificação de neuroses no consultório de Psicanálise, provocadas pelo excesso de exigências de toda espécie, de cargas intermináveis de trabalho e a tempestade de informações diárias. Por mais que a pessoa se esforce, não poderá escolher as demandas e dar conta de todas, sobrecarregando o sistema neurológico que entra em curto-circuito, complicando sensivelmente a qualidade de vida.

Essa hiperestimulação pode ser reduzida, entendendo que todo ser humano tem limites de dispêndio de energia física e psíquica e que não consegue saber de tudo, ler e aprender tudo, sendo inevitável deixar muita coisa para depois, escolhendo somente o que verdadeiramente importa. Assim, poderá contribuir para o melhor funcionamento desse complexo sistema – corpo, mente e cérebro –, minimizando as possibilidades de manifestação de doenças inexplicáveis que tantos leva ao consultório e ao consumo de tranquilizantes.

Essa epidemia de estresses também atinge crianças, púberes, adolescentes e jovens, submetidos a uma enxurrada de responsabilidades para as quais ainda não estão preparados. Então se apresentam rebeldes, entrando em conflito com os adultos e avolumando, ainda mais, a propagação de situações emocionais incompreendidas.